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Não deixem o monstro adormecer

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No início, esta época futebolística tinha tudo para ser histórica pelos melhores motivos. Vínhamos de um terceiro lugar (pela quarta vez na nossa história), jogávamos pela primeira vez na pré-eliminatória da Liga dos Campeões e mantínhamos o treinador e a grande maioria dos jogadores do plantel (saíram jogadores importantes, claro, mas em termos quantitativos não eram muitas as contratações que tínhamos de fazer – o que era necessário era fazê-las atempadamente e com cuidado). Em termos sociais o Vitória vinha com uma pujança inigualável (ainda mais potenciada pelos títulos nas modalidades). Atingimos pela primeira vez este ano os 30,000 sócios e vendemos lugares anuais como em mais nenhum ano (já vamos em mais de 19,000!). Por todas as razões esta era uma época que podia ser de sonho e que catapultaria o Vitória para uma nova dimensão com futuro.

Mas o que é a nossa (triste) realidade actual? Nas competições europeias não atingimos a fase de grupos. Verdade que uma muito estúpida decisão arbitral nos ajudou a empurrar, mas será que não podíamos ter resolvido as coisas muito antes dos últimos 5 minutos do segundo jogo? Quantas mais oportunidades teremos de chegar a uma fase de grupos com um adversário tão acessível como o Basileia? Não era uma oportunidade para agarrar com unhas e dentes nos 180m da eliminatória? Na Taça UEFA também saímos sem glória. Fizemos um bom segundo jogo? Verdade. Mas porque fomos tão inofensivos na primeira mão? E porque não aguentamos minimamente em termos físicos na segunda mão? É que, diga-se o que se disser, em termos práticos fomos eliminados e nem uma vitória conseguimos para os pontos no ranking… No campeonato seguimos num tristonho 10º lugar, mais perto da linha de água que dos lugares europeus. Ainda não ganhamos em casa e acumulamos exibições que não auguram nada de bom. Como se não bastasse, as lesões afectaram já metade do nosso plantel e dois dos nossos mais importantes jogadores (Sereno e Douglas) estão com lesões que basicamente os impedem de dar o seu contributo (quase) até ao final da época.


Como foi possível transformar um sonho tão bonito num pesadelo? Como foi possível sermos nós próprios a dar tantos tiros no pé? Urge que se faça algo, que se dê um murro na mesa e se assuma os erros cometidos, procurando agora novamente um rumo certeiro.


Da parte do nosso treinador urge uma mudança de discurso a atitude. Continuo a pensar que Cajuda é o treinador certo, que a estabilidade é precisa, mas não pode continuar com a mesma “lenga-lenga”. Não basta dizer que a equipa está a melhorar quando todos nós vemos o contrário. Não basta nunca para um clube como o Vitória ir jogar a qualquer estádio apenas para defender. Podemos perder os pontos, mas nunca a dignidade. É necessário assumir e tentar algo mais que o nulo. E não podemos nunca perder e achar “normal”, dizendo que no ano passado também perdemos o jogo. Uma derrota nunca pode ser boa. E a equipa tem de reagir. É preciso assumir limitações e cerrar os dentes na procura de soluções. É preciso urgentemente que Cajuda mude a maneira de falar e assuma ruptura com o passado recente, que assuma que algo tem de mudar, sob pena de alegremente continuarmos a ignorar os sinais de alarme até ser tarde demais.


Da parte da direcção é preciso assumir os erros do presente. Assumir que a planificação desta época em termos desportivos não foi boa, nem sequer aceitável. Todos nós temos presente o que se fez de bom, mas não se podem escudar sempre no passado recente que afinal de contas parece agora tão distante. No futebol vive-se do momento e a direcção não está, no meu ponto de vista, a conseguir tomar as rédeas do clube, a conseguir sentir o verdadeiro pulso dos adeptos. Não é de todo aceitável nenhum tipo auto-comiseração nem nenhum tipo de subserviência. Nenhum tipo de “paz podre” com qualquer clube. Não é sendo “moles” que conseguiremos algo. É necessário tomar todas as medidas necessárias, por mais duras que possam ser, na defesa do clube, com independência, e nunca passar “paninhos quentes” nas costas de quem nos deseja mal.


Da parte dos adeptos é necessário também reagir. Não podemos baixar os braços e ver a equipa penosamente a arrastar-se no campo batendo apenas “palminhas”. Apoio, claro, durante o jogo, mas é necessário fazer ver a nossa indignação quando vemos que não exista o esforço necessário. Não pedimos que ganhem sempre, mas exigimos que lutem sempre para ganhar. É necessário fazer ver à direcção que não concordamos com muitas das opções feitas e fazê-la sentir que tem de fazer mais para continuar a merecer a nossa confiança. É necessário fazer ver ao nosso treinador que não somos apenas mais um clube onde os resultados podem balançar tanto de época para época. Sabemos perfeitamente que há 2 épocas estávamos na segunda divisão, mas não precisamos que nos lembrem. Melhor do que ninguém sentimos na pele essa dolorosa machadada no coração mas não podemos usar isso como desculpa para tudo. O lugar do Vitória é a lutar pelos primeiros lugares do campeonato sempre, em todas as épocas. É uma pressão com a qual todos os que integram o nosso emblema têm de saber lidar. E é uma pressão que se exige face à dimensão da massa humana que acompanha o clube.


Em jeito de conclusão, é preciso dar um murro na mesa! Não podemos passar quatro jogos seguidos no campeonato sem ganhar e assobiar para o lado como se tudo estivesse bem. A equipa não está bem, a desilusão na massa associativa face às expectativas no início da época é grande e se não acordarmos agora, depois será tarde demais, o que seria muito lesivo para o crescimento do Vitória. É altura de assumir erros, romper com o passado recente e fazer os adeptos redescobrir o prazer de ir ao D. Afonso Henriques. É necessário fazer a equipa sentir que o próximo jogo com o Paços é vital. É uma pressão necessária com a vitória a ser o mínimo exigível. Bem sei que do que outro lado também estarão 11 jogadores, mas não podemos continuar no mesmo ritmo lento de jogo e se depois não ganharmos falar em resultado igual ao ano passado, falar na lesão de Douglas ou falar numa equipa em crescimento.


Como diria o nosso capitão Flávio Meireles, acordaram o monstro no ano passado. E como vitoriano, hoje peço-vos, do fundo do coração… não o deixem adormecer outra vez!



Pedro Ribeiro

http://paixaovitoriana.blogspot.com


 
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